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domingo, 17 de setembro de 2023

O Grito de Dragula, A Gárgula Drago

Mosteiro da Batalha, Batalha, Portugal (2018)

A sequência direcional e repetitiva do grito de Dragula expande-se num eco de formas redundantes que se metamorfoseiam na progressão de uma linha contínua, dirigida ao alinhamento de uma imensidão desconhecida. Mas penso, essencialmente, na impureza do hálito fétido do dragão, que afinal até poderá ser peixe ou mesmo ave, e que mesmo solidificado impregna infinitamente as pedras do velho mosteiro.


                            "Dragula" - Rob Zombie (1998)

domingo, 21 de fevereiro de 2021

LOS RESCATADORES EN CANGUROLANDIA

 
Leiria, Portugal (2018)

"Como expusimos al principio de este capítulo, la primera secuencia de la película es un auténtico regalo para el espectador y un momento sublime dentro del mundo de la animacíon: el intrépido Cody escala por la pared de una impresionante montaña hasta llegar a la cima donde es el águila dorada, Marahute, (espléndidamente animada por el experto en animales grandes Glen Keane) ha caído en una trampa puesta por un cazador furtivo. Cody la libera de las ataduras cortando las cuerdas con su inseparable navaja suiza pero, cuando el animal despliega sus alas tras recobrar su nueva libertad, empuja accidentalmente al muchacho hacia el precipicio. Comienza entonces uno de los momentos más espectaculares e imponentes de la película: Cody cae al vacío desde una altura de vértigo y, cuando ya se ve perdido, el águila lo salva de estrellarse contra el suelo volando por debajo de él hasta que aterriza suavemente sobre su espalda. Montado sobre ella, cual jinete aéreo, Cody remonta el vuelo hacia lo alto de la cima y, en un significativo gesto de libertad, justo cuando pasa por el punto donde estaba la trampa, Marahute clava sus terribles garras sobre el saliente de la montaña, arrancando algunos pedruscos. El efecto se ve potenciado por los compases de la banda sonora que, en ese momento, aumenta su intensidad. El águila continúa ascendiendo hasta alcanzar el mar de nubes mostrándonos sus dominios, y un paisaje de una belleza sobrecogedora se abre ante nuestros atónitos ojos. Marahute está dispuesta a recompensar a su nuevo amigo y le regala un viaje sólo apto para fanáticos de las montañas rusas. En una caída en picado por una pared de nubes, llega a un río sobre el que Cody realiza una espectacular demostración de esquí acuático, hasta la mismísima cascada desde donde se lanza al vacío rodeado de pájaros blancos completamente seguro de que su nueva amiga lo volverá a recoger en el aire. Finalmente, Marahute lo lleva a su nido en lo alto de una inaccesible montaña, donde el águila le confia su más íntimo secreto: en signo de confianza, y su muestra de su gratitud, le regala una de sus preciosas plumas."

in "Walt Disney, El Universo Animado de los Largometrajes - 1970-2001" de Jorge Fonte (2001)

                            "Fly Like An Eagle" - Steve Miller Band (1976)


sábado, 9 de janeiro de 2021

DAS NEGAÇÕES DO FRADE

Arquitetura religiosa, Leiria, Portugal (2018)
 
"Não vou dizer nada da minha ida a Roma, nem da vida que aí levei, pois não quero remexer na memória coisas desagradáveis. Basta dizer que o povo de Roma se não é o mais miserável que conheci é pelo menos o mais descarado. Assim, quando alguém sobe a um carro fazem-lhe pagar a entrada, depois o assento, a janela (se faz calor e a querem descer), e até o ar que por ela entra, quando entra, pois às vezes os calores são tão intensos que até o carro se desfaz em fumo...
Em Roma, pensava que ia conhecer uma cidade santa, mas depois de a ter percorrido por duas vezes não vi mais que miséria rodeando o povo, sobrecarregado com os constantes impostos da igreja, que se aproveita da ignorância para encher as arcas. Foi isso que aí vi, como aliás por toda a parte."

in "O Mundo Alucinante" de Reynaldo Arenas (1965)


                            "Religion" - P.I.L. (1978)

domingo, 11 de outubro de 2020

TEMPOS PASSADOS

Salto fantasma, Casa da Guarda do Gaio, Gaio, Alcobaça (2018)

"Em 1974-1975 estávamos na Universidade Nova, ainda unida e instalada na Av. da República, a frequentar um curso sobre o Modernismo dado por um conjunto de grandes eruditos, entre eles, para o caso de Fernando Pessoa, Luciana Stegagno Picchio e Eduardo Lourenço.
   Num dos seminários de Eduardo Lourenço, refletindo sobre a poesia de Álvaro de Campos, exclama o insigne Mestre: "gostava de saber se Pessoa teria mesmo a obra de Walt Whitman".
   Ora eu sabia que a meia irmã, Dona Henriqueta, vivia perto da UNL, do outro lado da Av. da República. Disse a Eduardo Lourenço: é simples, amanhã vou a casa da Dona Henriqueta e pergunto, e procuro na biblioteca dele. Foi o que fiz, e encontrei o volume das Leaves Of Grass profusamente anotado. Encontrei também no pequeno armário de vidros obras que eu conhecia bem, de filosofia hermética.
   Dei a Eduardo Lourenço a informação que o esclareceu e passei a visitar regularmente aquela casa onde uma senhora amável e paciente connosco, "os pessoanos", me deixou microfilmar tudo o que me interessou da arca carregada de papéis ainda desarrumados. Parte da minha investigação desses tempos está publicada em obras dos anos 80. Quanto aos livros, alguns já eu tinha e outros, dos que ele leu, fui comprando ao longo dos anos. Hoje tenho em casa os autores herméticos que foram companheiros da vida do poeta e em grande parte da minha.

                                                                                                  Yvette Celeno
                                                                                                  Escritora e investigadora"

in "Fernando Pessoa - o editor, o escritor e os seus leitores", edição Fundação Calouste Gulbenkian, coordenação editorial de Richard Zenith, com a colaboração de Carlos Filipe Moisés e Maria Helena Melim Borges.


"Na Véspera De Não Partir Nunca" - MARGARIDA PINTO, poema original de Álvaro de Campos (2005)

quinta-feira, 24 de setembro de 2020

A MENINA QUE SANGROU O CAPITÃO COM A FACA DE CORTAR CARNE SECA

Azulejo decorativo em Reguengo do Fétal, Batalha, Portugal (2018)
                            
"-Capitão, o amigo é um atrasadão, mas quero lhe ver nas mãos de Rosália fazendo tudo o que ela quiser; lhe digo mais: de joelhos, pedindo para fazer.
   -Quem? Eu, Justiniano Duarte da Rosa, o capitão Justo? Nunca.
   -Quando vai à Bahia, capitão? Marque a data e eu aposto em Rosália a dez por um. Se ela falhar, a festa nada lhe custa, é de graça.
   -Só que vou à Bahia por esses dias, logo depois das festas. Recebi um convite do governador para a Festa do Dois de Julho, a recepção no palácio. Foi um amigo meu que é da polícia quem arranjou.
   -Demora por lá? Quem sabe, ainda lhe alcanço?
   -Nem eu sei, depende tudo do juiz, tenho uma pendência no fórum. Aproveito para ver os amigos, nas secretarias, gente do governo, conheço muita gente na Bahia e os assuntos daqui, abaixo do Guedes, quem resolve sou eu. Vou demorar bem uns quinze dias.
   -Ainda assim, não lhe alcanço, prometi ao velho passar o mês com ele. Sem falar na vizinha, tenho de tirar a limpo esse assunto, descobrir a verdade, se é virgem ou não. Para mim é ponto de honra. Mas façamos o seguinte: eu lhe dou uma carta para Rosália, o amigo a procura em meu nome no Tabaris.
   -No cabaré Tabaris? Conheço, já estive.
   -Pois ela canta lá todas as noites.
   -Então está certo, me dê a apresentação e vou conhecer esse tal de buchê árabe. Mas avise a ela para me respeitar, é ela em mim, e acabou-se, se não quiser apanhar.
   -Eu mantenho a aposta, capitão, Rosália vai lhe virar pelo avesso.
   -Ainda não nasceu a mulher que mande no capitão Justo, muito menos que faça dele cachorro de francesa. Homem macho não se rebaixa a isso.
   -Um conto de réis meu contra cem mil-réis seus como o capitão lambe Rosália e pede bis.
   -Nem por brincadeira repita isso e sua aposta não aceito. Escreva para essa dona, diga que pago a ela direito, mas que me respeite. Quando me zango, não queira saber."

in "Tereza Batista Cansada De Guerra" de Jorge Amado (1972)


                "Um Nome de Mulher" - ANTÓNIO CARLOS JOBIM - VINICIUS DE MORAES (1956) 

domingo, 10 de maio de 2020

HOJE SERÁ O SEU DIA

Carvalhal, Bombarral, Portugal (2018)

"...Pensa isso sem medo. Chegou mais cedo do que ele esperava, mas tinha mesmo que chegar, ele não escaparia. Tinha pena somente de ainda não haver amado uma mulher como a que pedira certa noite a D. Janaína. Uma mulher que lhe desse um filho para herdar o seu saveiro, para ouvir as histórias do velho Francisco. Também não tinha corrido outros portos como pensara. Não fora como Chico Tristeza por outros mares para as Terras do Sem Fim. Iria agora com Iemanjá, D. Janaína dos canoeiros, Princesa de Aiocá dos negros, correr por baixo das águas. Talvez ela o levasse para a terra de Aiocá, que era a sua terra. É a terra de todos os marítimos, onde D. Janaína é princesa. Terras de Aiocá, longínquas, perdidas na linha do horizonte, de onde vinha Iemanjá nas noites de lua."

in Mar Morto, de Jorge Amado


                                         Triste Bahia - CAETANO VELOSO (1972)

segunda-feira, 23 de julho de 2018

Traço Urbano

Alcobaça, Portugal (2018)
A violência do traçado urbano molda o desenho das cidades... 

quinta-feira, 5 de abril de 2018

Ponte da Boitaca, Boutaca ou Boytac?

Ponte do Boitaca, Batalha, Portugal, (2018)
A Ponte da Boutaca (...Boitaca ou Boytac...) foi edificada em 1862 sobre a Ribeira de Calvaria, nas imediações do Mosteiro da Batalha, fazendo parte da antiga Estrada Real que ligava Lisboa ao Porto. Apresentando um modelo neo-gótico, a ponte é constituída por um tabuleiro retilíneo, assente sobre seis arcos quebrados intercalados por contrafortes. A amurada da ponte é decorada por grilhagens e pináculos, colocados no topo dos contrafortes. Nos extremos da edificação foram edificados quatro pavilhões de planta retangular, que assentam sobre as bases em talude e são rematados por ornamentos de cantaria, flores-de-lis e pináculos.
in "www.patrimoniocultural.gov.pt" 

quinta-feira, 29 de março de 2018

Celeridade Aquífera

Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros, Casais Monizes, Portugal (2018)
A nascente da Ribeira de Alcobertas é um pequeno oásis na aparente secura desta região, representando um dos poucos locais na área do Parque, onde a água, em relativa abundância, surge à superfície e permanece ao longo do ano.
in "http://www.turismoriomaior.pt/conte.php?a=59"  

quarta-feira, 28 de março de 2018

O Retiro da Engrenagem

Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros, Alcobertas, Portugal (2018)
Teimosamente resistindo ao abandono e às intempéries que atingem a serra, uma parte da engrenagem vai-se aguentando no alto das paredes do velho moinho.

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Um Ovo No Rio Alcôa

Chiqueda, Alcobaça, 2018
Disposição de formas, cores, pedras e vegetação, molda um curioso ovo no rio Alcôa...

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Harmonia

Igreja Cela Nova, Alcobaça, Portugal (2018)
Alinhamento de fusão entre o sagrado e a punição. Busca da salvação?

domingo, 14 de janeiro de 2018

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Reparem: Linhas Paralelas...

A8 Valado Dos Frades, Nazaré, Portugal (2018)

...no infinito se irão deitar...
Rui Reininho in "Sta. Polónia" - "Os Homens Não Se Querem Bonitos" - GNR (1985)