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segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

A VINHA. OS VINHOS.

Carrascal, Alcobaça, Portugal (2020)
 
"A cultura da vinha tem hoje na Região de Alcobaça excepcional importância e a sua área de cultura tem aumentado muito, sobretudo nos últimos anos. Invadiu todos os campos, apossou-se dos melhores terrenos, das melhores várzeas, das mais produtivas encostas, e o cultivador seduzido pelos lucros, muitas vezes aparentes, que esta cultura deu, entregou-se com todo o entusiasmo à plantação da vinha e nela depositou as melhores esperanças, na fé de que seria uma fonte de inesgotáveis lucros.
Durante o período da Guerra, em que a exportação de vinhos atingiu extraordinária importância, vendeu-se tudo, bons e maus vinhos, e a falta de honestidade de alguns vendedores foi largamente remunerada.
E foi essa venda fácil e lucrativa, foi a falta de previsão do futuro e o desejo de aproveitar ainda esse período de enriquecimento que fez que os melhores campos da região fossem invadidos por esta cultura. Das terras de sequeiro passou às de regadio, dos terrenos de encosta que produziam os melhores vinhos, passou às terras de aluvião férteis e fecundas, da zona montanhosa desceu às planícies, e as terras de campo que não são alagadas durante o inverno já estão, nalguns pontos, plantadas de vinha!
Foi ainda esse bem-estar transitório a origem, em parte, do aumento desta cultura, porque foi com os lucros obtidos durante os primeiros anos da Grande Guerra que muitos cultivadores puderam fazer face às despesas sempre elevadas da plantação. E por esta forma se plantaram por todo o concelho, e muito especialmente na zona serrana, muitos milheiros de cepas.
A cultura da vinha é, pelo menos por enquanto, uma riqueza enorme para a Região de Alcobaça pois o valor da produção atinge anualmente muitas centenas de contos."

in "J. Vieira Natividade - Obras Várias I", Edição da Comissão Promotora das Cerimónias Comemorativas do I Aniversário da Morte do Prof. J. Vieira Natividade - Alcobaça (1969)


                            "Valsa De Um Bêbedo" - ISRAEL COSTA PEREIRA (2018)


sexta-feira, 23 de outubro de 2020

OS MARES ESTÃO DESPOVOADOS

 
Ao largo da Polvoeira, Pataias, Alcobaça, Portugal (2016)

"No passado, os mares pareciam inexauríveis. No entanto, os efectivos de muitas espécies de peixes caíram para 10% ou menos dos seus níveis históricos. Dois terços das unidades populacionais de alto mar, incluindo as de tubarão, atum e espadarte, desceram já abaixo dos mínimos sustentáveis.
A aquicultura cresceu de forma explosiva para satisfazer uma procura em expansão a que a pesca já não consegue dar resposta. Em 1980, apenas 9% do pescado que consumíamos provinha de viveiros, contra 43% actualmente. Mas a aquicultura também tem custos ambientais, incluindo a poluição costeira e a contaminação das espécies selvagens."

in National Geographic - O Estado Do Planeta (Edição Especial - 2008)


                            "Endangered Species" - PAT METHENY / ORNETTE COLEMAN (1986)

domingo, 11 de outubro de 2020

TEMPOS PASSADOS

Salto fantasma, Casa da Guarda do Gaio, Gaio, Alcobaça (2018)

"Em 1974-1975 estávamos na Universidade Nova, ainda unida e instalada na Av. da República, a frequentar um curso sobre o Modernismo dado por um conjunto de grandes eruditos, entre eles, para o caso de Fernando Pessoa, Luciana Stegagno Picchio e Eduardo Lourenço.
   Num dos seminários de Eduardo Lourenço, refletindo sobre a poesia de Álvaro de Campos, exclama o insigne Mestre: "gostava de saber se Pessoa teria mesmo a obra de Walt Whitman".
   Ora eu sabia que a meia irmã, Dona Henriqueta, vivia perto da UNL, do outro lado da Av. da República. Disse a Eduardo Lourenço: é simples, amanhã vou a casa da Dona Henriqueta e pergunto, e procuro na biblioteca dele. Foi o que fiz, e encontrei o volume das Leaves Of Grass profusamente anotado. Encontrei também no pequeno armário de vidros obras que eu conhecia bem, de filosofia hermética.
   Dei a Eduardo Lourenço a informação que o esclareceu e passei a visitar regularmente aquela casa onde uma senhora amável e paciente connosco, "os pessoanos", me deixou microfilmar tudo o que me interessou da arca carregada de papéis ainda desarrumados. Parte da minha investigação desses tempos está publicada em obras dos anos 80. Quanto aos livros, alguns já eu tinha e outros, dos que ele leu, fui comprando ao longo dos anos. Hoje tenho em casa os autores herméticos que foram companheiros da vida do poeta e em grande parte da minha.

                                                                                                  Yvette Celeno
                                                                                                  Escritora e investigadora"

in "Fernando Pessoa - o editor, o escritor e os seus leitores", edição Fundação Calouste Gulbenkian, coordenação editorial de Richard Zenith, com a colaboração de Carlos Filipe Moisés e Maria Helena Melim Borges.


"Na Véspera De Não Partir Nunca" - MARGARIDA PINTO, poema original de Álvaro de Campos (2005)

domingo, 30 de agosto de 2020

NFB / JACQUES DROUIN

Video mapping no Mosteiro de Alcobaça (túmulo de D. Pedro), Portugal (2016)
"Considerado o mestre  mundial da animação em tela de alfinetes, o canadense Jacques Drouin mantém-se fiel a essa técnica desde 1967, quando encantado, conheceu o aparelho inventado por Alexander Alexeieff e Claire Parker. Ele deixou clara essa admiração já no título de suas primeiras experiências no NFB. Em Mindscape, Drouin utiliza o efeito de gravura obtido com sua floresta de alfinetes para exprimir  o mundo imaginário de um pintor. Sua obra-prima talvez seja A Hunting Lesson, onde ele atinge o sublime na representação da passagem do tempo e das paisagens africanas e canadenses. Drouin teve uma memorável colaboração com o tcheco Bretislav Pojar e seus bonecos em Nightangel. Sua atuação no NFB vai bem além dos seus filmes pessoais, configurando já uma participação histórica no portifólio da instituição."

in "Animation Now!", re-edição Anima Mundi / Taschen


                            "Only" - NINE INCH NAILS (2005)

quinta-feira, 13 de agosto de 2020

DOIS MIL E SEIS

Pormenor do frontispício, Cine-Teatro de Alcobaça, Portugal (2020)

"O concerto de encerramento dessa edição do Festival de Música de Alcobaça foi apresentado na tarde de 15 de Junho, no grande auditório do Cine-Teatro de Alcobaça. Nesse espectáculo sinfónico actuou a Orquestra Gulbenkian, sob a direcção da maestrina Joana Carneiro e com a participação do organista Marcos Magalhães como solista. Na primeira parte desse concerto foram interpretadas Sinfonieta de Fernando Lopes-Graça e Suite Concertante para cravo e orquestra de Armando José Fernandes, tendo esse espectáculo sido concluído com uma segunda parte integralmente preenchida com a interpretação da Sinfonia nº 40 em Sol menor, K. 550 de Wolfgang Amadeus Mozart."

in "Cistermúsica - Uma História" de José Alberto Vasco (2008)


                    Sinfonia nº 40 em Sol menor, K. 550 - WOLFGANG AMADEUS MOZART (1788)

terça-feira, 4 de agosto de 2020

FADO BAILADO

Noite de discos no extinto Café D. Abade, Alcobaça, Portugal (2013)

"Fado Bailado" é hoje de algum modo vítima do seu sucesso, de resto inesperado na altura da sua primeira edição. É o tipo de disco que ganhou um tal grau de popularidade que é, provavelmente, a primeira música portuguesa que um emigrante ou um estrangeiro ouve ao entrar num avião com destino ao nosso país. O tipo de disco que, eventualmente, se escuta quando se entra no elevador de um banco ou de um edíficio público ou, mesmo, quando se assiste a um casamento ou um baptizado. Como toda, ou quase, a música de Rão Kyao, "Fado Bailado" é um álbum de vocação ambiental que, devido à sua incidência num repertório de fados clássicos, entrou para o capítulo da música de fundo tipicamente portuguesa. Funciona, nessa medida, como um Mantovani ou um James Last lusitanos."

in "os melhores álbuns da música popular portuguesa (1960-1997)", edição conjunta Público e Fnac, texto de Luís Maio (Julho de 1998)


                            Fado Bailado - RÃO KYAO (1983)

terça-feira, 7 de julho de 2020

«NÃO TE DEVES PREOCUPAR ANTES DE COMEÇARES OU DEPOIS DE PASSARES»

S. Martinho do Porto, Alcobaça, Portugal (2017)

"Não se lembrava de nenhuma manhã em que não tivesse acordado feliz até que a enormidade do dia o afectara e aceitava agora este dia, tal como aceitara os outros todos. Perdera a capacidade de sofrimento pessoal, ou pensava que a perdera, e só podia sofrer com o que acontecia aos outros. Acreditava nisto, erradamente, claro, uma vez que não sabia como é que as capacidades de cada um se alteram, ou os outros, mas era uma crença confortável."

in "O Jardim Do Éden", de Ernest Hemingway


                            If I Were You (I'd Be Through With Me) - THE DIVINE COMEDY (1996)

terça-feira, 30 de junho de 2020

«TERTÚLIA», CAFÉ E POESIA

Montra alusiva às comemorações do Ano do Brasil no extinto Café Tertúlia, Alcobaça, Portugal (2013)

"... a tábua corrida voltou ao chão, tal como no princípio do século e as montras, mesas e cadeiras foram reabilitadas segundo uma perspectiva contemporânea, e hoje apresenta-se como uma casa de evocação a Virgínia Victorino, com algumas fotografias suas nas paredes, bem como peças de faiança antiga representativa das principais fábricas de Alcobaça, e vidros do início da «Crisal». Foi criada na altura da sua reinauguração, uma chávena da autoria de Ana Maria Botelho, um dos grandes nomes da pintura portuguesa. O espaço passou a denominar-se «Tertúlia», assumindo a sua vocação de sempre, organizando e recebendo, a partir daí, vários eventos culturais como lançamento de livros, sessões de poesia e conversas sobre vários temas nacionais e locais como a faiança, a orquestra típica, a banda ou as chitas de Alcobaça."

in "100 Anos De Comércio Em Alcobaça", de Jorge Pereira de Sampaio e Luís Peres Pereira


                                         Vá... Vá... - JOSÉ MÁRIO BRANCO (1982)


domingo, 4 de novembro de 2018

Deserto Aquático

Praia de Paredes da Vitória, Alcobaça, Portugal (2017)
«De momento, o melhor que tenho a fazer é ir almoçar a algum lado, erguer o copo, olhar através do vinho e ver mais do que aquilo que me é permitido pelo distanciamento que me carateriza. E, quando uma mulher bonita entrar no restaurante e abrir caminho entre as mesas, direi para mim mesmo: "Reparem como ela caminha ao encontro de um deserto aquático". Trata-se de uma observação sem sentido, mas para mim é algo de solene, plúmbeo, com o som fatal dos mundos a ruir e das águas caminhando para a destruição.»

in "The Waves", de Virginia Woolf   

segunda-feira, 23 de julho de 2018

Traço Urbano

Alcobaça, Portugal (2018)
A violência do traçado urbano molda o desenho das cidades... 

quinta-feira, 17 de maio de 2018

Sequência Ordenada

Carrascas, Alcobaça, Portugal (2017)

...fora do carro, emanava o forte cheiro da terra. A paisagem agrícola era dominada pela sequência ordenada de diversas linhas de árvores...

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Um Ovo No Rio Alcôa

Chiqueda, Alcobaça, 2018
Disposição de formas, cores, pedras e vegetação, molda um curioso ovo no rio Alcôa...

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Harmonia

Igreja Cela Nova, Alcobaça, Portugal (2018)
Alinhamento de fusão entre o sagrado e a punição. Busca da salvação?

domingo, 14 de janeiro de 2018

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Tecto Orgânico

Gaio, Alcobaça, Portugal (2017)
Organismo unicelular ou pluricelular, que se reproduz por esporos e pode ser parasita de uma planta ou de um animal ou viver como saprófita sobre matérias orgânicas que se encontrem de preferência em lugares húmidos e pouco iluminados. 
in "Dicionário da Língua Portuguesa"

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Era uma vez...

Cela Velha, Alcobaça, Portugal (2017)

...um tempo. Distante agora, como distantes eram antes...as cidades.

domingo, 31 de dezembro de 2017

Burlesque 2017

Vestiaria, Alcobaça, Portugal (2017)
A última luz natural de 2017 desvanece por detrás das árvores da Vestiaria, Alcobaça. Uma nova aurora irá despertar amanhã, no início de um novo ano. Desconhece-se o que aí vêm, anseia-se pelo que poderá mudar, fica o entusiasmo de uma nova oportunidade.