Mostrar mensagens com a etiqueta 2020. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta 2020. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

A VINHA. OS VINHOS.

Carrascal, Alcobaça, Portugal (2020)
 
"A cultura da vinha tem hoje na Região de Alcobaça excepcional importância e a sua área de cultura tem aumentado muito, sobretudo nos últimos anos. Invadiu todos os campos, apossou-se dos melhores terrenos, das melhores várzeas, das mais produtivas encostas, e o cultivador seduzido pelos lucros, muitas vezes aparentes, que esta cultura deu, entregou-se com todo o entusiasmo à plantação da vinha e nela depositou as melhores esperanças, na fé de que seria uma fonte de inesgotáveis lucros.
Durante o período da Guerra, em que a exportação de vinhos atingiu extraordinária importância, vendeu-se tudo, bons e maus vinhos, e a falta de honestidade de alguns vendedores foi largamente remunerada.
E foi essa venda fácil e lucrativa, foi a falta de previsão do futuro e o desejo de aproveitar ainda esse período de enriquecimento que fez que os melhores campos da região fossem invadidos por esta cultura. Das terras de sequeiro passou às de regadio, dos terrenos de encosta que produziam os melhores vinhos, passou às terras de aluvião férteis e fecundas, da zona montanhosa desceu às planícies, e as terras de campo que não são alagadas durante o inverno já estão, nalguns pontos, plantadas de vinha!
Foi ainda esse bem-estar transitório a origem, em parte, do aumento desta cultura, porque foi com os lucros obtidos durante os primeiros anos da Grande Guerra que muitos cultivadores puderam fazer face às despesas sempre elevadas da plantação. E por esta forma se plantaram por todo o concelho, e muito especialmente na zona serrana, muitos milheiros de cepas.
A cultura da vinha é, pelo menos por enquanto, uma riqueza enorme para a Região de Alcobaça pois o valor da produção atinge anualmente muitas centenas de contos."

in "J. Vieira Natividade - Obras Várias I", Edição da Comissão Promotora das Cerimónias Comemorativas do I Aniversário da Morte do Prof. J. Vieira Natividade - Alcobaça (1969)


                            "Valsa De Um Bêbedo" - ISRAEL COSTA PEREIRA (2018)


domingo, 6 de dezembro de 2020

«PREPARA-TE»

Grade, Gândara, Leiria, Portugal (2020)

   "Nem mesmo deitado tirara a boina. Estava ao comprido, de samarra e botins. Daí a pouco dormia.
   "É isto", lamentou-se o rapaz, passeando sempre; veio junto do preso, bateu-lhe no ombro, num gesto amigo: "Estamos destinados um ao outro. Viajas comigo, mijas comigo, fumas os meus cigarros... Queres melhor, pá?"
   Foi então que apareceu a Floripes, vinda do gabinete do Leandro. Ao deparar com aquele camponês de pé, a balouçar numa grande névoa, a barba crescida, os olhos como duas frestas de sono, ficou abismada. Era o mesmo homem que, pouco antes, lhe tinham mostrado numa das fotografias."

 in "O Hóspede de Job" de José Cardoso Pires (1963)


                            "Jeremias o Fora-da-Lei" - JORGE PALMA (1985)


domingo, 29 de novembro de 2020

O HOMEM DA RÁDIO, NA AUTOESTRADA

Almoinhas, Leiria, Portugal (2020)

 "O relatório afirmava que o objecto pairou sobre um campo usado para pastagem. Toda aquela zona era arborizada, e na zona sobre a qual o objecto pairou, a erva ficou acamada, formando um círculo de 18 m. de diâmetro; por cima do círculo, a erva ficou solta, como se tivesse sido sugada pelo objecto quando ele se ergueu a alta velocidade. A erva pisada foi vista por várias testemunhas, e amostras do solo e da erva foram recolhidas e enviadas a Dayton para serem analisadas pela Divisão de Análise Técnica, tendo sido concluído que não havia quaisquer indícios de radioactividade, queimaduras ou pressão.

O relatório do Livro Azul acrescenta ainda:

Depois de parar o carro, o Sr. ----- desligou o motor e ao sair do carro ouviu um ruído palpitante que vinha do objecto. Quando o objecto começou a subir, fez um barulho semelhante ao que faz um bando de aves quando levanta voo. Não foi observado fumo, nem vapor. O tempo estava quente, com algumas nuvens e sem vento. O Sr. ----- disse que o sol nasceu aquela hora, pelo que já havia luz suficiente para se ver todos os objectos naquela zona. A testemunha não se lembra de ter visto quaisquer aviões, comboios ou outros veículos aquela hora."

in "OVNI - Relatório Hynek" de Dr. J. Allen Hynek (1977)


                            "The Happening" - PIXIES (1990)


terça-feira, 8 de setembro de 2020

M m m m m m MACACOS

Espaço comercial, Leiria, Portugal (2020)

"El mono de Berbería o mona de Gibraltar M. sylvanus es una especie distintiva, de cuerpo robusto con cortas pero fuertes patas. La cara es corta y de color castaño, el pelo también castaño, y tiene una línea irregular negra desde el ojo hasta la oreja. Se encuentra actualmente en las montañas del Atlas en Marruecos, Argelia y Túnez y en áreas adecuadas hacia el norte hasta la costa mediterránea. Ha sido muy famoso como mono de Gibraltar, donde se conserva un grupo con fines turísticos que se va completando de vez en cuando con ejemplares nuevos del norte de África a fin de renovar la sangre. Había sido corriente en Europa en el periodo pleistoceno."

in "Enciclopedia de los Animales", Ediciones Nauta C., S.A. (2001)


                            "Monkey See-Monkey Do" - Michael Franks (1976)



quinta-feira, 13 de agosto de 2020

DOIS MIL E SEIS

Pormenor do frontispício, Cine-Teatro de Alcobaça, Portugal (2020)

"O concerto de encerramento dessa edição do Festival de Música de Alcobaça foi apresentado na tarde de 15 de Junho, no grande auditório do Cine-Teatro de Alcobaça. Nesse espectáculo sinfónico actuou a Orquestra Gulbenkian, sob a direcção da maestrina Joana Carneiro e com a participação do organista Marcos Magalhães como solista. Na primeira parte desse concerto foram interpretadas Sinfonieta de Fernando Lopes-Graça e Suite Concertante para cravo e orquestra de Armando José Fernandes, tendo esse espectáculo sido concluído com uma segunda parte integralmente preenchida com a interpretação da Sinfonia nº 40 em Sol menor, K. 550 de Wolfgang Amadeus Mozart."

in "Cistermúsica - Uma História" de José Alberto Vasco (2008)


                    Sinfonia nº 40 em Sol menor, K. 550 - WOLFGANG AMADEUS MOZART (1788)

quarta-feira, 15 de julho de 2020

CIDADES DO FUTEBOL

Carvalhal de Aljubarrota, Alcobaça, Portugal (2020)

"A geografia do futebol francês reflecte a distribuição peculiar da urbanização francesa: lento desenvolvimento, lento a chegar e concentração maciça em Paris. Nenhuma outra cidade conseguiu manter dois clubes de topo por um período de tempo longo e mesmo em Paris, onde isto sucedeu por um tempo curto, não houve um dérbi tão intenso como os da Inglaterra e da Itália. Paris criou dois clubes grandes na era do amadorismo: o Red Star 93, fundado em 1897 por Jules Rimet tendo como base o bairro Bauer, e o Racing Club que ocupava a exclusiva e chique zona de Colombes no noroeste da cidade.
A era profissional foi adversa a ambos. O Red Star foi forçado a deixar o bairro de Bauer para ir para as terras áridas de Marville, enquanto que o campo de Colombes poderia ter recebido o Campeonato do Mundo de 1938, mas actualmente nem um jogo da II divisão poderia receber. Este vazio no futebol parisiense foi finalmente preenchido com a criação do Paris Saint-German a partir do FC Paris e do Saint-Germain-en-Laye nos inícios dos anos 70. Com lugar no antigo terreno do Racing o recentemente renovado Parc des Princes, o PSG trepou para o topo do futebol francês sem contudo o dominar."

in Futebol Mundial, Dorling Kindersley, coleção Público


                            Football Blues - THE HOLY MODAL ROUNDERS (1967)

quinta-feira, 25 de junho de 2020

OS CAMINHEIROS

EM544, Zambujo, Leiria (2020)
...
   «O pior não é o calor, o pior são estas dores que não me largam.»
   «Passam. Deixa-te apanhar um bocado de sombra e verás.»
   Cigarra teve um sorriso desiludido:
   «Tudo isto é a malvada da úlcera a dar sinal. Conheço-a bem. Ainda ela não começa a roer já eu a sinto.»
   «Nesse caso, talvez seja melhor pararmos no Retiro. Podemos mandar vir um caldo, como da outra vez.»
   «Um caldo?»
   «E então? Um caldo é remédio santo. Pelo menos é o que tem acontecido. Palavra que se não fosse a questão do meu compadre nunca nós fazíamos uma viagem destas. Maldita a hora em que eu me fiei naquele velhaco.»
   Dum modo geral, António Grácio conversava com o companheiro sem o olhar. Assim aconteceu agora. Disse o que tinha a dizer e depois assoprou duas ou três fumaças desesperadas. Não tardou muito, já estava outra vez a falar mas para dentro, em silêncio. Discutia possivelmente com ele mesmo e com o seu destino traidor. «Vida dum capado», repontava a meio dessa conversa que só ele sabia; e continuava em frente, a cabeça enterrada nos ombros, os olhos fitos nas duas sombras atarracadas que deslizavam no alcatrão. 
   Essas sombras resumiam para ele a estrada, as sombras e a bengala do amigo marcavam o andamento da viagem. Cigarra, por sua vez, ia retardando o passo. Sabia que tinham chegado às primeiras árvores por causa da frescura que pousara sobre ele e também pelo ruído dos pés ao pisarem uma ou outra folha seca.
   Mas o calor ainda não desaparecera de todo. O ar continuava abafado, ar de trovoada; as árvores para ali estavam paradas, na esperança de uma brisa que não chegava. Lá quando calhava desprendia-se uma folha, uma só, e vinha lentamente, lentamente, espalmar-se no chão.
...

in "Jogos de Azar" de José Cardoso Pires


                             O Movimento Parado Das Árvores - ANTÓNIO PINHO VARGAS (1989)