Mostrar mensagens com a etiqueta Paisagem. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Paisagem. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 6 de dezembro de 2024

PERGUNTAR-SE-ÃO, PROVAVELMENTE, O QUE FAÇO AQUI?

 
Rêgo d'Água, Leiria, Portugal (2024)

Como que numa tela vazia, a profusão espacial domina a incerteza de uma paisagem em tons secos, espraiados pela nítida aridez que prolonga a imprecisão das linhas da terra. Absorto na absoluta tranquilidade de tão exausta moldura, o instinto felino revela estar atento ao cenário envolvente, imerso na solidão contemplativa de uma curiosidade que se fixa para além do reino das sombras, onde os novos ruídos e os movimentos suspeitos agraciam toda a sua natural atenção.

E o sacana do gato está ali especado já há um bom bocado e não arreda pé. Está com a atenção presa em alguma coisa que eu não consigo ver daqui. Mas que raio estará ele a ver, para permanecer tanto tempo quieto naquela posição? Porque está tão sossegado? Se calhar vigia algum pardal. Ou um melro. Talvez um chapim, ou uma alvéola, que por ali ande a saltitar. Um ratinho a cirandar ou uma pequena e desorientada toupeira que veio espreitar à superfície da terra. Também se pode tratar de um simples bocado de papel que, encantado pelo sopro do vento, por ali ande a dançar. Ou alguém a passear um cão. Um atraente espécime do sexo oposto. Que gaita! Alguma coisa que está para além do plano do terreno, fora do enquadramento da imagem. Não consigo mesmo ver, daqui.

Que cena irritante. E o bichano ali continua. Atento. Sem uma reação. Não mexe. Não mia. Raios partam a curiosidade. Simplesmente, um gato a ser um gato. Que se dane. Vou mas é fazer qualquer coisa. No entanto, havia de tirar uma foto desta cena. Pode ser que até fique gira. Espero que ele não saia dali enquanto vou buscar a câmara.


                            "Facts About Cats" - Timbuk 3 (1986)


domingo, 29 de novembro de 2020

O HOMEM DA RÁDIO, NA AUTOESTRADA

Almoinhas, Leiria, Portugal (2020)

 "O relatório afirmava que o objecto pairou sobre um campo usado para pastagem. Toda aquela zona era arborizada, e na zona sobre a qual o objecto pairou, a erva ficou acamada, formando um círculo de 18 m. de diâmetro; por cima do círculo, a erva ficou solta, como se tivesse sido sugada pelo objecto quando ele se ergueu a alta velocidade. A erva pisada foi vista por várias testemunhas, e amostras do solo e da erva foram recolhidas e enviadas a Dayton para serem analisadas pela Divisão de Análise Técnica, tendo sido concluído que não havia quaisquer indícios de radioactividade, queimaduras ou pressão.

O relatório do Livro Azul acrescenta ainda:

Depois de parar o carro, o Sr. ----- desligou o motor e ao sair do carro ouviu um ruído palpitante que vinha do objecto. Quando o objecto começou a subir, fez um barulho semelhante ao que faz um bando de aves quando levanta voo. Não foi observado fumo, nem vapor. O tempo estava quente, com algumas nuvens e sem vento. O Sr. ----- disse que o sol nasceu aquela hora, pelo que já havia luz suficiente para se ver todos os objectos naquela zona. A testemunha não se lembra de ter visto quaisquer aviões, comboios ou outros veículos aquela hora."

in "OVNI - Relatório Hynek" de Dr. J. Allen Hynek (1977)


                            "The Happening" - PIXIES (1990)


terça-feira, 10 de novembro de 2020

VOAR NO VENTO

Campos do Lis, Leiria, Portugal (2020)
   
"Tenho repetido muito «lembro-me», «vem-me à cabeça» ... Eh, a memória é importante - para todos, a qualquer idade. A memória de qualquer coisa: de uma canção, de um acontecimento; de uma comida, porque se calhar esta comida está a ligar-nos a um momento especial, a um encontro, a uma festa. E o mesmo com os cheiros, ou uma paisagem.
   Adoro ficção científica. Mesmo num filme de ficção científica, no Blade Runner, o que representa sofre, sofre de uma maneira impressionante porque não tem passado, não tem memória. Até isto dá a medida de como é importante.
   Lembro-me - não sei se o li ou ouvi num filme, não me recordo onde foi - de um canto navajo, índio, que diz:
Tudo o que viste, recorda-o
                                                Porque tudo o que esqueces
                                                Torna a voar no vento."  

in "Eu lembro-me, sim, bem me lembro" de Marcello Mastroiani (1997) 


                            "Memories Of Green" - VANGELIS (1982)

quinta-feira, 25 de junho de 2020

OS CAMINHEIROS

EM544, Zambujo, Leiria (2020)
...
   «O pior não é o calor, o pior são estas dores que não me largam.»
   «Passam. Deixa-te apanhar um bocado de sombra e verás.»
   Cigarra teve um sorriso desiludido:
   «Tudo isto é a malvada da úlcera a dar sinal. Conheço-a bem. Ainda ela não começa a roer já eu a sinto.»
   «Nesse caso, talvez seja melhor pararmos no Retiro. Podemos mandar vir um caldo, como da outra vez.»
   «Um caldo?»
   «E então? Um caldo é remédio santo. Pelo menos é o que tem acontecido. Palavra que se não fosse a questão do meu compadre nunca nós fazíamos uma viagem destas. Maldita a hora em que eu me fiei naquele velhaco.»
   Dum modo geral, António Grácio conversava com o companheiro sem o olhar. Assim aconteceu agora. Disse o que tinha a dizer e depois assoprou duas ou três fumaças desesperadas. Não tardou muito, já estava outra vez a falar mas para dentro, em silêncio. Discutia possivelmente com ele mesmo e com o seu destino traidor. «Vida dum capado», repontava a meio dessa conversa que só ele sabia; e continuava em frente, a cabeça enterrada nos ombros, os olhos fitos nas duas sombras atarracadas que deslizavam no alcatrão. 
   Essas sombras resumiam para ele a estrada, as sombras e a bengala do amigo marcavam o andamento da viagem. Cigarra, por sua vez, ia retardando o passo. Sabia que tinham chegado às primeiras árvores por causa da frescura que pousara sobre ele e também pelo ruído dos pés ao pisarem uma ou outra folha seca.
   Mas o calor ainda não desaparecera de todo. O ar continuava abafado, ar de trovoada; as árvores para ali estavam paradas, na esperança de uma brisa que não chegava. Lá quando calhava desprendia-se uma folha, uma só, e vinha lentamente, lentamente, espalmar-se no chão.
...

in "Jogos de Azar" de José Cardoso Pires


                             O Movimento Parado Das Árvores - ANTÓNIO PINHO VARGAS (1989)

quinta-feira, 17 de maio de 2018

Sequência Ordenada

Carrascas, Alcobaça, Portugal (2017)

...fora do carro, emanava o forte cheiro da terra. A paisagem agrícola era dominada pela sequência ordenada de diversas linhas de árvores...

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Um Ovo No Rio Alcôa

Chiqueda, Alcobaça, 2018
Disposição de formas, cores, pedras e vegetação, molda um curioso ovo no rio Alcôa...

domingo, 14 de janeiro de 2018

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Tecto Orgânico

Gaio, Alcobaça, Portugal (2017)
Organismo unicelular ou pluricelular, que se reproduz por esporos e pode ser parasita de uma planta ou de um animal ou viver como saprófita sobre matérias orgânicas que se encontrem de preferência em lugares húmidos e pouco iluminados. 
in "Dicionário da Língua Portuguesa"

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Reparem: Linhas Paralelas...

A8 Valado Dos Frades, Nazaré, Portugal (2018)

...no infinito se irão deitar...
Rui Reininho in "Sta. Polónia" - "Os Homens Não Se Querem Bonitos" - GNR (1985)

domingo, 31 de dezembro de 2017

Burlesque 2017

Vestiaria, Alcobaça, Portugal (2017)
A última luz natural de 2017 desvanece por detrás das árvores da Vestiaria, Alcobaça. Uma nova aurora irá despertar amanhã, no início de um novo ano. Desconhece-se o que aí vêm, anseia-se pelo que poderá mudar, fica o entusiasmo de uma nova oportunidade.