Criado inicialmente para divulgação das minhas fotografias, o blogue passou a funcionar, em Maio de 2020, como um exercício pessoal com o intuito de fundir três gostos pessoais: Música, Literatura e Fotografia. Em Setembro de 2023, o blogue deixou de ter um critério estritamente definido passando a funcionar de forma mais liberal, mantendo a abrangência dos mesmos gostos pessoais, a que iriei juntar ainda o Cinema e outras curiosidades.
"Não se lembrava de nenhuma manhã em que não tivesse acordado feliz até que a enormidade do dia o afectara e aceitava agora este dia, tal como aceitara os outros todos. Perdera a capacidade de sofrimento pessoal, ou pensava que a perdera, e só podia sofrer com o que acontecia aos outros. Acreditava nisto, erradamente, claro, uma vez que não sabia como é que as capacidades de cada um se alteram, ou os outros, mas era uma crença confortável." in "O Jardim Do Éden", de Ernest Hemingway If I Were You (I'd Be Through With Me) - THE DIVINE COMEDY (1996)
Montra alusiva às comemorações do Ano do Brasil no extinto Café Tertúlia, Alcobaça, Portugal (2013)
"... a tábua corrida voltou ao chão, tal como no princípio do século e as montras, mesas e cadeiras foram reabilitadas segundo uma perspectiva contemporânea, e hoje apresenta-se como uma casa de evocação a Virgínia Victorino, com algumas fotografias suas nas paredes, bem como peças de faiança antiga representativa das principais fábricas de Alcobaça, e vidros do início da «Crisal». Foi criada na altura da sua reinauguração, uma chávena da autoria de Ana Maria Botelho, um dos grandes nomes da pintura portuguesa. O espaço passou a denominar-se «Tertúlia», assumindo a sua vocação de sempre, organizando e recebendo, a partir daí, vários eventos culturais como lançamento de livros, sessões de poesia e conversas sobre vários temas nacionais e locais como a faiança, a orquestra típica, a banda ou as chitas de Alcobaça."
in "100 Anos De Comércio Em Alcobaça", de Jorge Pereira de Sampaio e Luís Peres Pereira Vá... Vá... - JOSÉ MÁRIO BRANCO (1982)
«O pior não é o calor, o pior são estas dores que não me largam.» «Passam. Deixa-te apanhar um bocado de sombra e verás.» Cigarra teve um sorriso desiludido: «Tudo isto é a malvada da úlcera a dar sinal. Conheço-a bem. Ainda ela não começa a roer já eu a sinto.» «Nesse caso, talvez seja melhor pararmos no Retiro. Podemos mandar vir um caldo, como da outra vez.» «Um caldo?» «E então? Um caldo é remédio santo. Pelo menos é o que tem acontecido. Palavra que se não fosse a questão do meu compadre nunca nós fazíamos uma viagem destas. Maldita a hora em que eu me fiei naquele velhaco.» Dum modo geral, António Grácio conversava com o companheiro sem o olhar. Assim aconteceu agora. Disse o que tinha a dizer e depois assoprou duas ou três fumaças desesperadas. Não tardou muito, já estava outra vez a falar mas para dentro, em silêncio. Discutia possivelmente com ele mesmo e com o seu destino traidor. «Vida dum capado», repontava a meio dessa conversa que só ele sabia; e continuava em frente, a cabeça enterrada nos ombros, os olhos fitos nas duas sombras atarracadas que deslizavam no alcatrão. Essas sombras resumiam para ele a estrada, as sombras e a bengala do amigo marcavam o andamento da viagem. Cigarra, por sua vez, ia retardando o passo. Sabia que tinham chegado às primeiras árvores por causa da frescura que pousara sobre ele e também pelo ruído dos pés ao pisarem uma ou outra folha seca. Mas o calor ainda não desaparecera de todo. O ar continuava abafado, ar de trovoada; as árvores para ali estavam paradas, na esperança de uma brisa que não chegava. Lá quando calhava desprendia-se uma folha, uma só, e vinha lentamente, lentamente, espalmar-se no chão.
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in "Jogos de Azar" de José Cardoso Pires O Movimento Parado Das Árvores - ANTÓNIO PINHO VARGAS (1989)
1909 - 17 de Março - Peterborough, Inglaterra. Um objecto ruídoso, levando luzes, move-se sobre a cidade. Relatório da polícia.
18 de Maio - Caerphilly, País de Gales. Um habitante de Cardiff chamado Lithbridge diz que ia a andar pelas montanhas quando se deparou com uma enorme construção cilíndrica pousada perto da solitária estrada. Viu lá dentro dois homens com um aspecto estranho, agasalhados com qualquer espécie de casacos de peles. Quando estes o viram começaram a falar nervosamente numa língua estrangeira. No minuto seguinte a máquina levantou voo e desapareceu muito rapidamente. Não tinha asas e fazia muito pouco ruído. Foi encontrada uma depressão na relva no sítio indicado por ele - a primeira informação neste século de uma dessas coisas pousada na Terra.
10 de Junho - Estreito de Malaca. Outra roda luminosa a rodopiar vista na água.
8 de Setembro. Objecto luminoso atravessa a Nova Inglaterra com grande ruído de maquinaria.
31 de Outubro. Um facho de luz desce do céu sobre Bridgewater, Nova Inglaterra, e depois desaparece.
20 de Dezembro. Objecto luminoso visto sobre Boston, Mass., U.S.A.
23 de Dezembro. É visto sobre Worcester, Mass., U.S.A.; «percorrendo os céus como um raio luminoso de grande potência». Regressa duas horas depois, e é visto por milhares de pessoas nas ruas. Afasta-se em direcção ao sul, movendo-se depois para este e para o mar.
24 de Dezembro. Regressa a Boston. Muitos observadores.
24 de Dezembro - Limerick, Irlanda. Disco luminoso visto no horizonte a nordeste, movendo-se lentamente para o sul, girando sobre si mesmo e, depois, afastando-se em direcção contrária. Visível durante trinta e dois minutos.
31 de Dezembro - Huntingdon, Virgínia ocidental. Três enormes discos luminosos todos do mesmo tamanho, aparecem no céu da madrugada.
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in "DISCOS VOADORES seu enigma e sua explicação" de Desmond Leslie e George Adamski
"Jerry Lewis é não só um humorista e um realizador, mas também um filantropo, devido ao seu show televisivo de caridade a favor da paralisia cerebral que, acompanhando a recolha de fundos com uma sensibilidade própria de Las Vegas, parecia estar à beira de um colapso nervoso. Também a estreita correspondência entre a realidade e o drama parecem desaparecer constantemente durante esta campanha. Quem quer que seja que consiga criar e manter esta atmosfera, é de facto extraordinário. Eu não conhecia Jerry pessoalmente, mas ele revelou-se uma pessoa excelente com quem trabalhar. Eu estava a recuperar da pneumonia e era-me difícil tratar de todos aqueles problemas habituais que surgem num estúdio de filmagens. Ele disse: «Eu sei que sou o número dois neste filme, não irei criar nenhuma dificuldade e farei o que quiseres. Sou um profissional a sério, sei onde me devo colocar. Se quiseres que eu fique por aí à espera, eu ficarei, estás-me a pagar esse tempo!» Sentindo o que eu sentia na altura, foi muito libertador ouvir isso. Ele era muito divertido no intervalo das cenas e quando começava a dizer piadas eu tinha ataques de asma de tanto rir. Chegou ao ponto de ser demais e tínhamos de o abanar para parar! Mas também agarrou muito bem as cenas dramáticas. Naquela em que está a falar com Bobby e diz, «Sou apenas um ser humano apesar das fraquezas, das artimanhas, do espectáculo, da pressão, dos grupos de fãs, dos caçadores de autógrafos, da equipa técnica, dos incompetentes» - isto foi tudo improvisado por ele. Acho que é um actor maravilhoso." in "Scorcese Por Scorcese", organização de David Thompson e Ian Christie
Muitas populações do mundo radicaram-se na costa, pois não podiam prever que o nível do mar subiria por consequência das alterações climáticas. As ilhas oceânicas e muitas outras terras situadas ao nível do mar, como os atóis do Pacífico ou os recifes de coral de Namado, na Indonésia, serão afectadas. Nos oceanos, abundam os organismos que carecem de CO2 para desenvolver as suas funções vitais. As plantas captam-no para operar a fotossíntese e os invertebrados marinhos usam-no para fabricar os seus esqueletos e conchas. O CO2 em excesso torna a água mais ácida, o que prejudica as rochas marinhas e as conchas dos animais, que podem começar a libertar CO2 em vez de o absorver. Texto de Rafael L. Brás e Mário Molina in National Geographic - MARES E OCEANOS, A água, fonte de vida (Edição Especial - 2008) La Mer - NINE INCH NAILS (1999)
Marshall McLuhan 1911-1980
Comentador e académico de origem canadiana, é o pai da ideia de «Aldeia Global», segundo a qual o avanço tecnológico e electrónico dos meios de Comunicação Social está na origem de novos padrões de percepção e compreensão da condição humana. Sustentou que o progresso tecnológico é uma extensão do sistema nervoso humano que permite a percepção instantânea e imediata do mundo, em que as noções de espaço, sequencialidade e identidade pessoal perdem valor porque os «media» tudo aproximam. in Expresso, 1000 figuras do século XX (Edição comemorativa do nº 1000 do Expresso, 28 de Dezembro de 1991) Home Computer - KRAFTWERK (1981)
"...Pensa isso sem medo. Chegou mais cedo do que ele esperava, mas tinha mesmo que chegar, ele não escaparia. Tinha pena somente de ainda não haver amado uma mulher como a que pedira certa noite a D. Janaína. Uma mulher que lhe desse um filho para herdar o seu saveiro, para ouvir as histórias do velho Francisco. Também não tinha corrido outros portos como pensara. Não fora como Chico Tristeza por outros mares para as Terras do Sem Fim. Iria agora com Iemanjá, D. Janaína dos canoeiros, Princesa de Aiocá dos negros, correr por baixo das águas. Talvez ela o levasse para a terra de Aiocá, que era a sua terra. É a terra de todos os marítimos, onde D. Janaína é princesa. Terras de Aiocá, longínquas, perdidas na linha do horizonte, de onde vinha Iemanjá nas noites de lua." in Mar Morto, de Jorge Amado
São Pedro de Moel, Marinha Grande, Portugal (2019)
«Têm aos pés o mar novo e as mortas eras» (Fernando Pessoa, Mensagem, V, 1)
Separador in História de Portugal, Volume I, Das Origens Ao Renascimento, de A.H. de Oliveira Marques